Venezuela. Mais de 600 detidos por saques a estabelecimentos comerciais em Zúlia


“Contabilizam-se 602 pessoas detidas, 102 estabelecimentos comerciais e seis centros comerciais afetados”, disse o ministro venezuelano de Interior, Justiça e Paz, aos jornalistas.


Segundo Néstor Reverol, desde o “apagão” houve “uma série de atos de vandalismo”, estando a ser apuradas “as responsabilidades diretas e indiretas” dos detidos.


“Não se descartam outras detenções dos autores intelectuais que motivaram estes factos criminosos”, frisou.


Por outro lado, precisou que seis elementos das forças de segurança foram feridos por arma de fogo.


Segundo Néstor Reverol, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou outorgar créditos especiais, através da banca pública, aos proprietários dos 102 estabelecimentos comerciais que foram saqueados.


Os créditos, disse, terão como propósito “recuperar o perdido e empreender de novo”.


Nos últimos dias, a Agência Lusa tem tentado, sem sucesso em vários casos, falar com empresários da cidade de Maracaibo, Estado de Zúlia, a fim de determinar quantos estabelecimentos comerciais de portugueses terão sido afetados pelos saques.


As linhas telefónicas e móveis da localidade dão sinal de impedido, algumas vezes mesmo antes de se terminar de marcar o número.


No entanto, em contactos efetuados, fontes da comunidade portuguesa local disseram haver pelo menos cinco estabelecimentos de portugueses entre os afetados, mas que a falta de energia elétrica estava a impedir carregar os telemóveis, dificultando inclusive as comunicações locais.


A Venezuela esteve às escuras uma semana, na sequência de uma avaria na central hidroelétrica de El Guri, a principal do país, que afetou ainda dois sistemas secundários e a linha central de transmissão.


O “apagão” ocorreu na tarde de 07 de março e obrigou à suspensão das atividades laborais e escolares.


Entretanto os venezuelanos retomaram as atividades profissionais na última quinta-feira, prevendo-se que na segunda-feira os alunos regressem ás aulas.


Entretanto, o Governo venezuelano anunciou que o sistema estava “recuperado a 100%”, mas persistem “apagões” em várias regiões do país, inclusive em urbanizações da capital.


FPG // HB