Tribunal de Portimão ouviu declarações gravadas de britânica agredida

O registo foi ouvido na segunda sessão do julgamento dos três arguidos, duas mulheres – mãe e filha – e um homem, acusados pelo MP de coautoria pelos crimes de sequestro e ofensas à integridade física qualificadas de Leighanne Rumney, cidadã britânica que trabalhava num bar de Albufeira, respondendo o homem também pelo crime de condução sem habilitação legal.

No depoimento gravado, Leighanne Rumney, agora com 22 anos, descreveu a forma como em 26 de maio de 2015 foi aliciada a entrar numa viatura em Albufeira e levada para um lugar ermo, perto da estação ferroviária de Alcantarilha, onde as duas mulheres a agrediram “a murro, pontapé e com golpes de tesoura e lhe cortaram o cabelo e as roupas”.

A vítima relatou ao tribunal que foi aliciada a entrar no carro sob o pretexto de “falar sobre o João”, um homem que conheceu no bar e que seria o companheiro de Eliana Carvalho, uma das arguidas.

“Não sabia da existência da Eliana e quando questionei o João sobre o nome que tinha tatuado no braço, ele disse-me que era o nome da irmã”, relatou a vítima, sublinhando ter acreditado na versão do homem.

A cidadã britânica disse que cerca de 25 minutos após ter entrado num carro de cor cinzenta, cuja matrícula não conseguiu identificar, foi levada por estradas secundárias para um local com muita vegetação, onde ambas as arguidas a agrediram e rasgaram as roupas, deixando-a a esvair-se em sangue, com golpes por todo o corpo.

“Quando vi duas tesouras azuis, pressenti que alguma coisa iria acontecer e fiquei com medo. Não ofereci resistência, fiz tudo o que me pediram, porque temi pela minha vida. Pensei que ia ser violada, mas tal não aconteceu. O homem ficou no carro, penso que a vigiar, e nunca se chegou a aproximar”, relatou a vítima.

Leighanne Rumney disse não se ter apercebido do número de golpes com que foi atingida e contou que, depois de os agressores a terem abandonado, se dirigiu para uma estrada para pedir ajuda.

No local, perto da estação ferroviária de Alcantarilha, a vítima foi auxiliada por várias pessoas, que alertaram as autoridades. Os meios de socorro conduziram-na ao hospital.

A cidadã britânica disse ainda, que apesar das agressões, não pensou abandonar Portugal e que apenas o fez porque voltou a receber ameaças de morte.

Na segunda sessão do julgamento, que decorre no tribunal de Portimão, foi também apresentado pelo advogado das arguidas um documento do consulado de Portugal em Dusseldorf (Alemanha) que comprova que a arguida Rute Almeida efetuou no dia 26 de maio de 2015, presencialmente, a sua inscrição naquela representação diplomática.

Dois funcionários do consulado português naquele país, ouvidos por videoconferência, confirmaram que “o registo foi feito e assinado presencialmente pela arguida na Alemanha”.

O advogado das arguidas, Tito Januário, alega que a sua constituinte se encontrava no dia 26 de maio de 2015 na Alemanha e que regressou a Portugal no dia 29 do mesmo mês.

O tribunal pretende agora saber junto da ANA – Aeroportos de Portugal se a arguida transitou pelos aeroportos portugueses naquelas datas, conforme consta dos bilhetes e cartões de embarque emitidos pela agência de viagens JS Travel.

A terceira sessão do julgamento ficou marcada para o dia 23 de abril, às 09:15.

Seja sempre o primeiro a saber.
Acompanhe o site eleito pelo segundo ano consecutivo Escolha do Consumidor.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download
Google Play Download