Solidariedade: Manuel Lemos diz que Misericórdias estão no limiar da «sobrevivência»

Responsável apoia alerta deixado pela Conferência Episcopal Portuguesa

Foto: Folha do Domingo

Fátima, 13 fev 2019 (Ecclesia) – O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) afirmou hoje que as instituições mas estão “no plano da sobrevivência”, depois de no seu congresso nacional terem alertado que “há muito” entraram “no sinal vermelho”.

“Quando se fala na sobrevivência é termos as contas minimamente equilibradas para continuarmos a nossa missão, que é ajudar as pessoas e gostava que estivéssemos no plano da sustentabilidade”, explicou Manuel Lemos à Agência ECCLESIA.

Segundo o responsável, as Misericórdias estão “muito asfixiadas”, porque não têm “dinheiro para pagar salários justos” e “a qualidade degrada-se todos os dias”, gerando “enormes dificuldades no investimento e inovação”.

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Barbosa, apelou esta terça-feira ao “cumprimento” dos compromissos assumidos pelo Estado com as IPSS, da Igreja Católica e não só, para que estas possam cumprir a sua missão.

Para Manuel Lemos, a “preocupação manifestada” pelos bispos católicos “conforta muito” e prova que a CEP “está atenta aos problemas das pessoas, aos problemas das instituições”.

O presidente da UMP manifestou preocupação com o excesso de ideologia, que “não é adequada à realidade” e lembrou que o provedor da Santa da Misericórdia do Porto disse que “o maior antidoto para a ideologia é a realidade”, evocando o congresso nacional realizado entre 7 e 10 de fevereiro, em Albufeira.

“A ideologia tem um plano, mas temos uma coisa muito mais evidente que é a realidade de cuidar das pessoas, dos doentes, das pessoas com deficiência, das crianças, dos idosos”, desenvolveu.

Segundo Manuel Lemos “não vale de nada” uma Lei de Bases da Saúde, se depois há “lares ou centros de dia, ou de noite, cheios de pessoas doentes, idosos com demências, doenças crónicas”.

Congresso das Misericórdias; Foto Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O responsável lembrou que, há 22 anos, quando o Pacto da Cooperação foi celebrado, havia ideia de que o Estado devia “comparticipar em cerca de 50% nas respostas sociais” e à volta de 65%” na resposta específica “que é a deficiência”; um estudo da CNIS – Conferência Nacional de Instituições de Solidariedade revelou no final de 2018 que essa comparticipação está, “em média”, nos 38%.

“Temos de inverter o processo, mas não seria razoável dizer ao Governo, num país pobre como o nosso, agora queremos um aumento de 10%”, observou, defendendo que se comece um “processo de recuperação”, de reversão “da posição do Estado em relação aos problemas das politicas sociais do Estado português”.

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas salienta que ouvem o Estado dizer que “conta com o setor social”, mas recorda que em 2018 foi celebrado um protocolo com a ADSE – Instituto Público de Gestão Participada, que não a “alargou” a nenhuma instituição.

Neste contexto, deu como exemplo o hospital da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso, “considerado de excelência pela Entidade Reguladora de Saúde”, com “cinco estrelas, como os melhores privados” nacionais.

“Andamos há um ano a avaliar, não faz sentido nenhum. Se a entidade máxima em Portugal disse que tem cinco estrelas, o que vai avaliar uma equipa do ADSE? É obviamente perder tempo e gastar dinheiro”, observou.

‘Missão, Rigor e Compromisso’ foi o lema do 13.º Congresso Nacional das Misericórdias, que contou com a presença do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e do presidente da República; na abertura dos trabalhos, o presidente da UMP apelou à atualização da comparticipação pública.

As 388 Misericórdias em Portugal apoiam, “diariamente, mais de 165 mil pessoas” e detêm 21 hospitais e 115 unidades de cuidados continuados.

CB/OC