CEO do Montepio diz que as fintechs permitem “a desagregação da cadeia de valor” dos serviços financeiros

A nova presidente executiva do Montepio, Dulce Mota, abordou os novos desafios para a banca, que passam pela convivência de novos operadores tecnológicos no setor bancário, mas também por um período financeiro complicado.

A banca vive um “difícil momento de rentabilidade”, procurando, ao mesmo tempo, fazer face a “estruturas pesadas”, e proceder à transformação dos sistemas tecnológicos e de segurança, disse Dulce Mota, naquela que foi a sua primeira intervenção pública, enquanto CEO do Banco Montepio, na primeira Conferência Ibérica sobre fintech, realizada na Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, em Lisboa, esta quarta-feira.

Sobre o surgimento das fintech no setor bancário, que foi o pano de fundo da conferência, Dulce Mota disse que “os novos hábitos criaram novas expetativas” para os consumidores, uma vez que estes querem respostas e soluções rápidas para os seus problemas e necessidades.

Se muitos pensavam que estas novas empresas tecnológicas estão a desafiar os bancos tradicionais de forma concorrencial, num jogo de soma negativa, desenganem-se. Dulce Mota não vê “as fintech como uma ameaça, mas como uma parceria de negócio”. A CEO vai mais longe ao afirmar que ” as fintech são inspiradoras para aquilo que a banca tem de fazer”.

O paradigma típico da banca vai-se alterar. As fintech, que não têm a estrutura pesada nem o legado histórico dos bancos tradicionais, têm a agilidade e o conhecimento tecnológico para se afirmarem em áreas onde, tradicionalmente, os bancos não chegam. Assim Dulce Mota explicou que “as fintech têm uma característica muito curiosa: a de se focarem em nichos de mercado, onde se tornam especialistas, e nessa medida são clusters da própria banca”.

“Isto permite a desagregação da cadeia de valor” dos serviços financeiros, frisou Dulce Mota.

A CEO revelou que os novos neo banks têm vantagens competitivas em determinadas áreas. No entanto adiantou que onde se tornam mais desafiadores para os bancos tradicionais é nas áreas “do retalho e dos serviços de pagamento”.

Mas a disrupção vai além da oferta de novos produtos colocados no mercado ou de novas formas de o abordar. A alteração de paradigma no sistema financeiro causado pela disseminação das fintech está também a verificar-se dentro dos próprios bancos. “Esta disrupção vai mudar a forma como a banca olha para o talento”, frisou a presidente executiva do banco.

Assim,  reforçou a necessidade de encontrar talento com competências que até então não constituíam o core do perfil de um trabalhador na banca. “É preciso pessoas nativas na digitalização”, salientou.

Dulce Mota assumiu em janeiro a vice-presidência do Banco Montepio, depois de uma passagem pelo ActivoBank, que pertence ao BCP, onde foi presidente executiva desde 2018.

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