PS-M diz que presidente do Governo Regional «cumprimenta com chapéu alheio»

O Grupo Parlamentar do Partido Socialista-Madeira esteve, na tarde desta segunda-feira, na freguesia dos Canhas, tendo acusado o presidente do Governo Regional de «cumprimentar com chapéu alheio» no que se refere aos apoios aos produtores de cana-de-açúcar.

Lembrando as declarações de Miguel Albuquerque ontem num convívio de produtores de cana-de-açúcar ocorrido na Calheta, o líder parlamentar do PS-M afirmou que «o senhor presidente do Governo anda a cumprimentar com chapéu alheio, porque a produção de cana sacarina é apoiada pela União Europeia». «Hoje, os produtores de cana recebem por quilo 27 cêntimos. São 16 cêntimos que vêm da União Europeia e 11 cêntimos que os engenhos, fruto da transformação e da venda, dão aos produtores. E ouvir, como ouvimos ontem, o senhor presidente do Governo cumprimentar com chapéu alheio, dando a entender através das suas palavras que os apoios aos agricultores vinham do Orçamento Regional, parece-nos que é tentar confundir os agricultores e os produtores de cana-de-açúcar», disse Victor Freitas.

«Queríamos alertar o senhor presidente do Governo que os apoios que existem hoje aos produtores são apoios que vêm da União Europeia. Portanto, os agricultores devem, em relação a essa matéria, o fruto do seu trabalho à União Europeia e aos engenhos que lhes pagam. Não devem ao Governo Regional, que não tem nenhum apoio suplementar nesta área para fazer face àquilo que são as necessidades dos produtores», vincou.

Por outro lado, o líder parlamentar socialista lembrou que o Executivo tem, até ao final do mês de fevereiro, a responsabilidade de fixar o valor da compra da cana por parte dos engenhos aos produtores. Segundo referiu Victor Freitas, a última vez que existiu um aumento de 1 cêntimo foi em 2013. Como tal, deixou um desafio: que em 2019, depois de cinco anos sem aumento para os produtores, «o Governo dê o justo valor àqueles que trabalham as terras». «Nós entendemos que deve existir um aumento em relação ao preço pago por cada quilo de cana-de-açúcar, de forma também a repor rendimento junto dos agricultores», reforçou.

O líder parlamentar do PS-M partilhou também das preocupações manifestadas por um dos responsáveis do Engenho da Calheta, que deu conta que há comerciantes que vendem produtos de fora como se fossem produtos regionais, e fez um apelo ao Governo para que «fiscalize as entidades que vendem estes subprodutos derivados da cana-de-açúcar e garanta que aquilo que está exposto como marca Madeira é, de facto, marca Madeira».