Porto Editora recusa ter havido censura da "Ode Triunfal"

A Porto Editora esclarece que os versos omitidos da “Ode Triunfal” do manual “Encontros – 12.º ano” estão transcritos na versão do livro para os professores e recusa ter havido censura.

No sábado, o jornal Expresso” noticiou que o livro escolar editado pela Porto Editora teria censurado alguns versos do poema de Álvaro de Campos “Ode Triunfal”. Na versão do manual para os alunos, faltam três versos: “Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas”; e outro, “E cujas filhas aos oito anos – e eu acho isto belo e amo-o! – / Masturbam homens de aspeto decente nos vãos de escada”.

Segundo o semanário, o manual é usado em 90 escolas. O excerto da “Ode Triunfal” transcrito no livro escolar para o 12º ano substituiu os versos por linhas tracejadas, provocando acusações de que terá censurado o poema. Foi depois de se ouvir uma versão áudio da obra, escreveu o Expresso, que a diferença veio a público.

Ao JN, a Porto Editora e as autoras do manual esclareceram que, na versão do professor, o poema “está disponível na íntegra”. “Nesta versão”, explica a editora, “as autoras sinalizam ao professor quais os versos que se encontram omitidos na edição do aluno. Assim, os docentes podem decidir se abordam em contexto de sala de aula – e de que forma – versos que têm linguagem explícita e se relacionam com a prática da pedofilia.”

Para a empresa a substituição dos versos está devidamente assinalada. “Na edição disponível para os alunos, o poema “Ode Triunfal” encontra-se transcrito na íntegra, com exceção dos três versos referidos (versos 153, 169 e 170). No entanto, a indicação de que os versos foram cortados é visível tanto graficamente (linhas a tracejado) como através da numeração das linhas”, sublinha a editora.

Por isso, as autoras do livro e a Porto editora garantem que não há “qualquer censura à obra de Fernando Pessoa, apenas e tão somente uma preocupação didático-pedagógica – seguida pela generalidade dos manuais existentes – que permite aos professores decidirem livremente sobre a abordagem mais adequada junto dos seus alunos”.

A Porto Editora nota ainda que “a diferença entre livro do professor e livro do aluno assenta no pressuposto de que cada docente tem um papel central na preparação e na organização das suas aulas, em função das características específicas de cada turma”. Por isso, continua, são os docentes que devem avaliar “se têm ou não condições para abordarem os referidos versos com o tempo e o cuidado necessários, uma vez que podem, obviamente, constituir fator de desestabilização ou de desvio da atenção dos alunos.”

A leitura de obras de Fernando Pessoa e seus heterónimos faz parte das “Aprendizagens Essenciais” definidas pelo Ministério da Educação. Para a tutela, os alunos deverão ter “um conhecimento e uma fruição plena dos textos literários do património português e de literaturas de língua portuguesa”.