Empresas europeias amplamente imunes ao esperado abrandamento do PIB – Moody's

“No geral, esperamos que as empresas europeias não financeiras façam apenas ajustamentos moderados nas suas políticas financeiras à medida que o crescimento económico abranda”, indica a agência de notação financeira, num relatório divulgado hoje.

A Moody’s recorda que prevê que o crescimento do PIB da zona euro, que se fixou em 2,5% em 2017, continue a abrandar para uma expansão de 1,8% em 2019 e de 1,6% em 2020.

“Apesar de isso poder ter um efeito percetível em alguns lucros empresariais, não é grave e a grande maioria das empresas avaliadas deve ser capaz de se adaptar com bastante facilidade”, antecipa a agência de ‘rating’

Embora assumindo que não é esse o seu cenário de base, a Moody’s alerta para que uma desaceleração económica mais acentuada “exigiria medidas mais extremas, algumas das quais foram demonstradas em anteriores ciclos económicos, e que poderiam pesar mais fortemente na qualidade do crédito das empresas”.

No relatório, a Moody’s precisa que as empresas europeias têm “várias alavancas para gerir um abrandamento [económico], mas algumas são mais fáceis de acionar que outras”.

Indica a agência de ‘rating’ que os gastos de capital são a alavanca que dá maior flexibilidade de curto-prazo porque é a rubrica a que corresponde a maior fatia de despesas para as empresas. Também as estratégias de aquisições são mais fáceis de gerir durante períodos de desaceleração económica porque são muitas vezes oportunistas e reduzi-las tem menor probabilidade de afetar o negócio ‘core’ [principal], refere a Moody’s.

A agência de ‘rating’ sugere ainda que as empresas também podem reduzir os dividendos para preservar capital, mas alerta para que isso “é potencialmente mais sensível porque tem um efeito direto sobre os acionistas”.

“A corrida até ao Brexit””, diz ainda a Moody’s, também mostra como as empresas podem reagir a uma procura mais fraca e à incerteza. A instituição recorda que várias empresas responderam à incerteza em torno do ‘Brexit’ reduzindo os investimentos ou com planos de contingência para deslocar a sua produção para fora do Reino Unido, ao mesmo tempo que outras empresas têm investido mais em cadeias de fornecimento e armazenamento para evitar ou lidar com os potenciais efeitos de barreiras comerciais mais fortes após o ‘Brexit’.