Em nova série, Netflix fala sobre educação sexual para adolescentes

Asa Butterfield e Gillian Anderson em cena de ‘Sex Education’ (Imagem: divulgação Netflix)

‘Sex Education’, série britânica bem-humorada produzida pela Netflix e disponível na plataforma a partir desta sexta (11 de janeiro), pode servir para uma reflexão maior a respeito da importância de se falar abertamente sobre sexo no ambiente escolar.

Vale lembrar que a discussão sobre educação sexual ser ou não assunto das escolas é uma das muitas pautas da sociedade brasileira hoje. O presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, já deu declarações dizendo que o tema deve ser tratado apenas no âmbito familiar. Já uma pesquisa recente do Datafolha, publicada na última segunda-feira, mostra que 54% da população é a favor de que a educação sexual seja tratada nas salas de aula do país.

Apesar de se passar nos dias atuais, como denunciam as conversas por celular e a citação aos sites de pornografia, a série tem um clima anos 80 nos figurinos e trilha sonora, talvez querendo dizer que pouco se evoluiu no tópico desde então.

O protagonista é Otis (Asa Butterfield, de ‘A Invenção de Hugo Cabret’ e ‘O Lar das Crianças Peculiares’), jovem um tanto quanto reprimido, apesar de – ou justamente por isso – ser filho de uma despudorada terapeuta sexual, interpretada por Gillian Anderson (a Dana Scully de ‘Arquivo X’).

Rodeado por colegas de Ensino Médio com hormônios em ebulição, Otis se sente um peixe fora d’água. Enquanto todos os outros parecem começar a viver as primeiras aventuras sexuais, ele não consegue nem mesmo se masturbar. Mas o fardo de se sentir inadequado não é exclusividade dele. Até mesmo Adam, o valentão da escola, tem seu problemas na cama, ao não conseguir satisfazer por completo a namorada e ter que apelar para o viagra, ainda que esteja supostamente no auge do vigor físico.

Além das óbvias implicações sanitárias – há um surto de pediculose pubiana (o popular “chato”) entre os estudantes – ‘Sex Education’ mostra como manter questões como essa apenas dentro de si, sem orientação ou espaço para conversas, pode gerar ainda mais ansiedade e insegurança, dando origem a um ciclo vicioso de frustração que tem consequências não apenas na vida sexual.

A personagem Maeve (Emma Mackey, que em algumas cenas lembra uma Margot Robbie mais jovem) é rápida ao sacar isso. É dela a ideia de, aliada a Otis, começar uma espécie de clínica extra-oficial de edução sexual para os outros alunos.

Criada por Laurie Nunn, a série trata de tudo isso com extrema naturalidade, o que pode até mesmo assustar o público mais conservador. Uma cena de sexo abre o primeiro episódio, que ainda tem um momento de nudez masculina em que partes do pênis do ator estejam expostas. ‘Sex Education’ não está disposta a fazer rodeios, e vai direto ao ponto, exatamente por defender que, nesta discussão, quanto mais as coisas estejam abertas, melhor.