Premium A MULHER DA SEMANA – Ada Hegerberg: Twerk? Eu é mais golos…

A referência à absurda brincadeira do DJ Martin Solveig com Ada Hegerberg, na gala da Bola d’Ouro, começa e acaba no título. Não é justo que a primeira jogadora do mundo a receber a distinção redonda e dourada da France Football seja tão pouco falada por aquilo que realmente importa: o talento, a classe, a personalidade.

Ada é natural da Noruega, tem 23 anos é avançado no Lyon, tricampeão europeu e todo poderoso do futebol feminino. Se o prémio para Modric deu muito que falar, aqui é fácil: Ada é fora de série e tem tudo para ser uma das melhores jogadores de sempre, mais não seja porque ainda tem uma enorme margem de progressão – apesar de a carreira profissional ter começado bem cedo, com 15 anos.

Pelas contas da UEFA, são quase 300 golos. Na Liga dos Campeões tem 41 golos no mesmo número de jogos, com direito a uns recordistas 15 tiros certeiros na época passada. De cabeça, de pé esquerdo, de pé direito, em jeito ou em força, não importa. A Ada vem aí e um golo vai marcar.

Mas a marca de Ada não se esgota no relvado. Quando recebeu o prémio, terminou o discurso com uma mensagem de força e esperança para as jovens futebolistas: que nunca desistam dos seus sonhos.

E se um dos sonhos de qualquer futebolista é representar a seleção, a verdade é que, para Ada, isso não está acima das suas convicções. Por entender que na Noruega há um tratamento desigual entre futebolistas masculinos e femininos, Ada deixou de ir à seleção (66 jogos, 38 golos, já agora), numa atitude reiterada esta semana, por uma questão de “autenticidade e valores” – mesmo que isso signifique não marcar presença no Mundial de 2019, em França.

“Muitas coisas têm que ser feitas para que existam melhores condições para as mulheres que jogam futebol. É tudo uma questão de respeito pelo futebol feminino e não creio que esse respeito exista. Eu disse, muito claramente, o que achava que não estava a funcionar.”