Vikings – 05×12 – Murder Most Foul

Classificação

8.2

Interpretação

8.5

Argumento

8.4

Realização

8.2

Banda Sonora

Com as duas frente inimigas a separarem-se geograficamente, previa-se que a série abrandasse ainda mais relativamente a um já “lento” regresso. E o novo episódio em certa parte confirmou essa minha expectativa até a uns minutos finais sangrentos, à moda viking e que tornaram tudo bem mais interessante.

Separados que estão agora os líderes Lagertha e Ivar, o interesse da série até ao reencontro no campo de batalha teria de vir de novos conflitos, alianças e traições dentro de cada grupo ou com os povos com os quais interagem. Se pensarmos no lado de Ivar, sinceramente parece uma questão de tempo até que egos tão grandes entrem em rota de colisão, especialmente Harald face a Ivar, uma vez que já nos foi permitido perceber que Harald é capaz de tudo por poder e Ivar é pior ainda. Mas custa-me a ver Ivar como um líder forte – vítima da sua condição física, paira sempre no ar a ideia de que não seria uma missão muito complicada iniciar uma rebelião e destituí-lo. Porque o seguem? Medo? Acreditam nas suas capacidades de comando?

Querem vender-nos um Ivar implacável, cerebral, manipulador e muito inteligente, mas depois casam-no com uma “tonta” e ele parece um “parvo” por acreditar na conversa dela. De Hvitserk nem vale a pena dizer muito, quanto a mim é a personagem mais infeliz e fraca da série, nunca se conseguindo afirmar perante os irmãos e ficando com as sobras dos seus relacionamentos.

Margrethe e a sua loucura e mania das grandezas poderia ser uma boa ameaça para Ivar, mas teve um fim, para mim inesperado e precoce, não se tendo aproveitado o potencial da personagem. Mas o episódio precisava de um abanão e essa cena cumpriu esse efeito na perfeição.

Nos próximos tempos, deste lado, a minha única esperança reside em Harald, que pode revolucionar este reinado.

E em Inglaterra, o interesse prendia-se com a dúvida constante se Bishop Haehmund trairia a confiança dos pagãos ou trairia os seus valores cristãos. Na verdade, ele parece querer manter-se no meio e é isso que o torna numa das melhores e  mais misteriosas personagens do momento. Não parecendo Alfred alguém que pudesse fomentar o início de algum confronto, aqui a tensão fica mesmo a cargo do poder associado à Igreja e ao posto deixado vago por Haehmund e rapidamente ocupado. Confesso que pensei que este conflito tivesse “pernas para andar” uns quantos episódios, mas no seguimento da outra cena sangrenta, manteve o nível de brutalidade e pôs-se fim a quaisquer dúvidas sobre quem era o mais forte dos dois.

Com dois episódios, Vikings ainda não conseguiu criar um rasto de tensão crescente que me faça estar entusiasmado e expectante pelo próximo episódio. E ter os dois núcleos afastados enfraquece e não contribui em nada. Por outro lado, temos um terceiro núcleo aliado de todo o mundo no “paraíso” de Floki que continua a ser para mim um arco da história sem relevância ou de algo modo entusiasmante. Clive Standen parece que vai estar mais uma vez aliado da ação aparecendo pontualmente para dar o ar da sua graça. No meio de tudo isto gosto da evolução da relação de Lagertha com Haehmumd – fazem uma dupla temível – e espero que façam a qualidade da série subir nas próximas semanas. E assim tivemos um episódio cuja vida foi curiosamente trazida por dois momentos de morte!

André Borrego