Santos Silva quer fim da ambiguidade dos socialistas face a totalitários e nacionalistas

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou hoje que os socialistas não podem temer a batalha ideológica, nem adotar ambiguidade perante regimes totalitários, salientando antes a sua incompatibilidade face a nacionalistas e xenófobos.

Palavras que foram proferidas por Augusto Santos Silva a meio do primeiro de dois dias de Congresso do Partido Socialista Europeu (PSE), que decorre até sábado em Lisboa, num discurso curto, com mensagens diretas que foram muito aplaudidas no final.

“Nós, socialistas, não podemos temer o debate ideológico e temos de defender os nossos valores, posição esta que tem atualmente três consequências: Temos de lutar contra o autoritarismo e não podemos ser ambíguos face a regimes autoritários, sejam de direita ou de esquerda, e sejam eles europeus, latino-americanos ou asiáticos”, apontou.

A segunda consequência política dessa atitude de não ambiguidade ideológica, de acordo com o membro do PS, é que os socialistas europeus têm de demarcar-se claramente da “ortodoxia neoliberal, quer dentro da União Europeia, quer fora da União Europeia”.

“A terceira consequência é que, nós socialistas, devemos procurar entender todos, mas xenófobos, populistas e correntes anti-imigração não são compatíveis com os valores sociais-democratas. E precisamos de dizer isso alto e claro: Não é legítimo que sociais-democratas possam ser ambíguos no combate contra a xenofobia, o populismo e os nacionalismos”, frisou.

Na introdução da sua intervenção, o membro do Governo português defendeu uma atitude de maior coordenação entre os socialistas europeus nas principais organizações internacionais multilaterais para, assim, fazerem vingar os seus valores comuns.

Augusto Santos Silva manifestou-se convicto que os socialistas podem assumir uma posição de liderança no debate de questões como o combate às alterações climáticas, o desenvolvimento sustentável e as migrações.

“Temos de desenvolver novas parcerias económicas entre a União Europeia e continentes como África ou regiões como a América Latina. Temos de ser os defensores do comércio justo, o que significa comércio livre e regulado de acordo com os mais elevados critérios ambientais, de segurança alimentar, de Estado social e contra abusos laborais”, acrescentou.