Quinze dias e 10 mil quilómetros depois, final da 'Libertadores' decide-se em Madrid

No sábado, 24 de novembro, Buenos Aires e a Argentina estavam prontos para receber a segunda mão da final da Taça dos Libertadores, entre os dois rivais da capital, River Plate e Boca Juniors, mas o apedrejamento ao autocarro do Boca Juniors aquando da sua chegada ao estádio Monumental de Nuñez provocou ferimentos em vários jogadores o que levou o Tribunal de Disciplina da Conmebol a punir  posteriormente o River Plate com uma multa de 350 mil euros pelos incidentes ocorridos.

Inicialmente o encontro acabou por ficar adiado por uma hora, sendo depois remarcado para o dia seguinte, mas o Boca Juniors recusou jogar por não ter disponíveis os jogadores do plantel, que acabaram por ficar feridos no dia anterior.

Os comandados Guillermo Barros Schelotto pediram mesmo à Conmebol para conquistarem o troféu na secretaria, algo que já havia sido feito em 2015 para com o River Plate, quando os seus jogadores foram atacados com gás pimenta à saída para os balneários do estádio La Bombonera, por adeptos do Boca Juniors no intervalo da partida dos oitavos-de-final desta mesma Libertadores.

O certo é que a Conmebol não deu razão ao Boca Juniors e depois de várias reuniões e possíveis datas a segunda mão acabou por ser marcada para este domingo, às 19h30 (hora portuguesa) no estádio… do Real Madrid, em Espanha. O anúncio foi feito a 29 de novembro, pelo presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez.

“Quero agradecer ao chefe do Governo de Espanha, ao presidente da FIFA [Gianni Infantino] e de forma pessoal ao meu amigo Florentino Pérez [presidente do Real Madrid]. E a todas as cidades que manifestaram a sua intenção para esta grande final”, referiu o dirigente.

De resto, na última quinta-feira, 6 de dezembro,boca juniors o Boca Juniors colocou novo recurso para que lhe fosse dada a vitória e o respetivo título desta final sem jogar, mas a Conmebol rejeitou novamente o pedido da equipa argentina.

E assim, pela primeira vez e naquela que será a última ocasião em que a final da Taça dos Libertadores é jogada a duas mãos, esse encontro será disputado não só em campo neutro, como no continente europeu. Não se pense no entanto, que por o jogo se disputar a 10 mil quilómetros da capital argentina as medidas de segurança serão menos rigorosas, pelo contrário.

Desde logo a começar pelas equipas que aterraram na capital espanhola com um dia de diferença, o Boca Juniors chegou na quarta-feira, dia 5 de dezembro e o River Plate no dia seguinte. Quanto aos adeptos das duas equipas chegam em aviões separados com três horas de diferença de aterragem no aeroporto.

Para garantir a segurança a polícia espanhola terá um dispositivo de quatro mil agentes, vindo também da Argentina um grupo de agentes para acompanhar as claques de ambos os clubes. Nada foi deixado ao acaso, inclusive os locais de treino de River Plate e Boca Juniors, que treinaram no centro de treinos do Real Madrid e da federação espanhola de futebol, respetivamente, separados por dez quilómetros.

Quanto aos bilhetes, embora o jogo seja entre duas equipas argentinas foram os adeptos do Real Madrid que esgotaram as entradas disponibilizados pela Conmebol, em apenas 90 minutos, e que os revenderam depois na internet.

No site ‘milanuncios.com‘, os sócios do Real Madrid colocaram à venda os bilhetes para a final. Um sócio podia comprar duas entradas com preços que variavam entre os 80 e os 220 euros. O jornal espanhola ‘AS’ deu conta de 22 ofertas de entradas nas primeiras horas. Em algumas, vendiam-se dois bilhetes. Em outras, foram oferecidos oito bilhetes de uma vez, com os ingressos mais baratos a custarem 250 euros e os mais caros 800 euros.

Com o mundial de clubes a começar no próximo dia 12 de dezembro, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), as duas equipas já têm a logística preparada em caso de vitória. O Boca Juniors já anunciou que regressará à Argentina para festejar com os seus adeptos, enquanto o River Plate caso vença irá ficar em Madrid, antes de viajar para os (EAU).

Ler mais