Papa Francisco vai a Abu Dabi em fevereiro

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De acordo com o Vaticano, o Papa visita Abu Dabi para participar num fórum sobre “a fraternidade humana” e para se encontrar com a Igreja católica local. Do programa destaca-se uma Missa em Abu Dabi, dia 5 de fevereiro.


Esta viagem papal tem contudo outras conotações, de mostrar abertura ao Islão numa perspetiva de fraternidade entre “pessoas de boa vontade” e inscreve-se noutras ações de Francisco para contribuir para a união das “religiões do livro”, Islão, Cristianismo e Judaísmo.

O Papa convidou por exemplo dois velhos amigos de Buenos Aires, um
rabi e um professor muçulmano, para participarem da sua visita à Terra
Santa.
Fraternidade com o Islão
Também não é a primeira vez que o Papa Francisco é recebido em países muçulmanos. Visitou a Turquia e o Próximo Oriente em 2014, o Azerbeijão em 2016 e o Egipto em 2017, para um anterior fórum inter-religioso.

Esta viagem a Abu Dabi tem também por objetivo reforçar os laços com muçulmanos, refere Sandro Magister, jornalista especialista em assuntos do Vaticano.

“É típico da linha de Francisco, procurar visitar os lugares que representam as periferias, as situações difíceis. Abu Dabi é um lugar de fronteira”, lembra. “Como habitualmente, o Papa quer acolher as aberturas e faze-las progredir”.

O príncipe herdeiro de Abu Dabi, Mohammed Ben Zayed al-Nahyane, o homem forte do país, congratulou-se na rede Twitter com a visita “histórica” de um “símbolo de paz, de tolerência e da promoção da fraternidade”.

Já o vice-presidente dos Emirados, o xeque Mohammed Bin Rached, esta visita “vai reforçar os nossos laços e a nossa compreensão comum, intensificar o diálogo inter-religioso e ajuadar-nos a trabalhar juntos para manter e construir a paz entre as nações do mundo”.

“Trabalhar para a Paz”

O tema da visita de Francisco é “faz de mim um instrumento da tua Paz”, frase da célebre oração de Francisco de Assis, um dos santos de que Jorge Bergoglio escolheu o nome quando foi eleito em março de 2013.

“A forma como as pessoas de boa vontade podem trabalhar para contribuir para a paz será um dos temas principais desta viagem”, explicou o porta-voz do Vaticano, Greg Burke.

“Esta visita, como a do Egipto, mostra a importância fundamental que o Santo Padre atribui ao diálogo inter-religioso. O Papa Francisco que vai ao mundo árabe é um exemplo perfeito da cultura do reencontro”, acrescentou.

A imagem de Francisco difere da de Bento XVI, marcada pela polémica do discurso em Ratisbona em 2006, que provocou protestos em todo o mundo árabe. Contudo, a extensa obra teológica do Papa emérito é popular e muito estudada entre os intelectuais islâmicos, sobretudo no seu máximo expoente, a Universidade do Cairo, e poderá ter ajudado Francisco a abrir portas.

Emirados tolerantes


Contrariamente ao seu vizinho saudita, dominado pelo Islão de pendor sunita, e que proíbe qualquer outra religião exceto o Islão, os Emirados árabes procuram ser tolerantes.


A sua população, 90 por cento estrangeira, inclui uma grande comunidade cristã, em particular entre os trabalhadores indianos e filipinos. Contudo, segundo a instituição Ajuda à Igreja que Sofre, nos Emirados Árabes “os cristãos não podem falar de religião com os muçulmanos nem lhes é permito usar uma cruz no pescoço de forma visível”.


O país conta com 31 igrejas de todas as denominações e este ano foi lançada a primeira pedra de um grande templo hindu.

Monsenhor Paul Hinder, bispo para o sul da Península (Emirados Árabes Unidos, Omã e Iémen), agradeceu num comunicado a “generosidade” das autoridades dos Emirados, ao autorizar a realização da Missa.

Com quase 82 anos, Francisco tem uma agenda carregada em 2019. Logo em janeiro visita o Panamá entre 22 e 27 de janeiro, para as Jornadas Mundiais da Juventude. Em setembro pretende visitar o Japão. E uma viagem a Madagáscar está também projetada.