“Coletes amarelos”. Paris em alerta máximo


A estratégia de Emmanuel Macron parece passar por não acicatar os ânimos dos “coletes amarelos” antes da realização de uma nova manifestação, convocada para este sábado através das redes sociais. Só na segunda-feira se deverá dirigir de viva voz aos franceses sobre este tema. “O Presidente da República não está ‘febril’, está inquieto”, disse o ministro da Agricultura Didier Guillaume.


“A raiva permanece indescritível e fora de controlo”, admitiu o primeiro-ministro Édouard Phillipe.


Mobilizados há cerca de três semanas, o movimento de contestação à política fiscal e social do Governo que pede a demissão de Macron, os “coletes amarelos”, conseguiram as primeiras concessões nos últimos dias. A mais evidente é o anúncio de que o aumento do imposto sobre os combustíveis, o rastilho que espoletou a revolta, a ser adiado durante todo o ano de 2019.


Anúncios que em vésperas da realização de mais uma manifestação, parecem não ter sortido efeito, julgadas pelos “coletes amarelos” como insuficientes. O movimento, destruturado, sem líder, fora dos quadros estabelecidos, não terá acalmado perante as concessões.


“Estas três semanas fizeram nascer um monstro que escapou aos seus criadores”, declarou o ministro do Interior, Christophe Castaner para definir o movimento dos “coletes amarelos”, que começou com a revolta de franceses com baixos rendimentos.

Na passada semana, as ruas de Paris transformaram-se num palco de batalha, de “guerrilha urbana”, com carros e lojas incendiados, confrontos com a polícia, gás lacrimogéneo e o Arco do Triunfo, símbolo nacional, vandalizado.

O executivo alerta que este sábado a França vive um estado de alerta máximo. Emmanuel Macron pediu aos partidos políticos, sindicatos e ao patronato para “lançarem um apelo claro e explícito à calma”. Num gesto raro, sete sindicatos condenaram “todas as formas de violência” e responsáveis partidários, da direita à esquerda, fizeram o mesmo.
Dispositivo “sem precedentes”


Os apelos à calma que não anularam a mobilização de um dispositivo policial “sem precedentes”, como admitiu o diretor geral da Gendarmerie, Richard Lizurey. Nenhum polícia pode folgar este fim de semana.


No total, são 89 mil polícias mobilizados em toda a França. Oito a dez mil só em Paris, praticamente o dobro dos efetivos que estavam destacados para a manifestação do último sábado. Haverá inclusivamente uma dúzia de veículos blindados na capital. “A força permanecerá na lei”, garantiu o ministro do Interior.


A Torre Eiffel está encerrada, bem como museus como o do Louvre ou o d’Orsay. O Centro Pompidou está fechado, e inúmeros espetáculos foram cancelados. Na Liga francesa de futebol, seis jogos da 17ª jornadas terão de ser remarcados. Nos Campos Elíseos, palco dos confrontos da semana passada, as lojas não vão abrir.


Ao longo daquela que é uma das principais avenidas de Paris, os comerciantes colocaram proteções frente às suas lojas.

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Os prejuízos estimados decorrentes das manifestações e bloqueios de estradas pelos “coletes amarelos” são de 400 milhões de euros nos transportes de mercadorias, perdas de 25% na grande distribuição, 50% de quebras no turismo em toda a França. Os comerciantes dizem ter perdido cerca de mil milhões de euros desde que os protestos começaram.
Emmanuel Macron personaliza o alvo desta contestação. Eleito em 2017, o Presidente francês regista nova descida nos níveis de popularidade. Uma sondagem publicada pelo Le Figaro esta semana mostra que Macron tem 21% de popularidade e que mesmo 54% dos eleitores que votaram Macron apoiam o movimento do “colete amarelo”.
MNE desaconselha “deslocações não necessárias a Paris”


Face às manifestações previstas para este fim-de-semana, o Ministério dos Negócios Estrangeiros recomenda que os portugueses evitem “deslocações não necessárias a Paris”.

Em comunicado publicado na página do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Governo alerta que há “por parte das autoridades francesas a indicação de que no dia 8 (sábado) irão continuar as manifestações em Paris, existindo forte possibilidade de confrontos”.

Manifestações que poderão surgir em particular na zona “dos Campos Elísios/Arco do Triunfo, Bastilha, République, Opéra/Grands Magasins (onde se situam as Galerias Lafayette e outras), Assembleia Nacional (perto do Museu d’Orsay), Senado (Jardins do Luxemburgo) e Denfert-Rochereau. Está prevista também uma Marcha pelo Clima (de Nation até République)”. Portugueses em Paris devem evitar quaisquer concentrações de manifestantes


“Face a isto”, lê-se no comunicado, “recomenda-se no dia 8 de dezembro evitar deslocações não necessárias a Paris, especialmente às zonas mencionadas supra, seguir os conselhos das autoridades e sobretudo evitar quaisquer concentrações de manifestantes”.

O MNE recomenda ainda que no sábado “os viajantes se mantenham informados sobre a evolução da situação, recorrendo às aplicações (Apps) dos transportes públicos (RATP em Paris, por exemplo) para, nomeadamente, verificar as linhas e estações em funcionamento, acompanhando também as notícias veiculadas pelos canais de informação e pelas redes sociais como o Twitter, mas seguindo apenas as contas oficiais (i.a. das Préfectures de Police e das Mairies, sobretudo a de Paris)”.
As autoridades francesas vão divulgar pelas redes sociais e através de painéis informativos espalhados pela cidade informação sobre as zonas que devem ser evitadas. Há igualmente a informação de que vários monumentos e museus vão estar encerrados e vários eventos desportivos, culturais e associativos cancelados ou adiados.

Diz ainda o MNE que “quanto ao restante território continental, para além de acções de protesto nalguns centros urbanos, devem estar atentos a possíveis interrupções/bloqueios de trânsito nos eixos principais de ligação às grandes cidades, como por exemplo na A10 (Grande Paris-Bordéus) ou nos acessos a Marselha, que continuam a ser palco de bloqueios intermitentes ou móveis. Verificam-se algumas dificuldades no reaprovisionamento de bombas de gasolina e de supermercados nas regiões de Marselha, Nice, Aix, Arles, Avignon”.


Há ainda a informação de que o “acesso ao aeroporto que serve a região da Provença pode ser novamente bloqueado. Persistem alguns pontos de bloqueio na Bretanha, não se tendo, porém, registado incidentes graves. Em relação a visitas/deslocações ao resto do território francês, têm-se verificado vários problemas na Ilha da Reunião e, apesar da recente acalmia, devem ser bem ponderadas as deslocações não necessárias”.

O Ministério recorda os números de emergência em França:
– número geral: 112
– serviços médicos (SAMU): 15
– Polícia: 17
– Bombeiros: 18

Para qualquer situação os portugueses em França podem ainda contactar o Gabinete de Emergência Consular ou os vários consulados no país:

-Telemóvel de Emergência: +351.961.706.472

e/ou

– Consulado-Geral em Paris : + 33.6.95.83.57.11

– Consulado-Geral em Lyon : + 33.6.80.93.99.29

– Consulado-Geral em Bordéus: + 33.6.28.06.44.09

– Consulado-Geral em Marselha: + 33.6.18.72.27.90

– Consulado-Geral em Estrasburgo: + 33.6.27.47.95.45