“Coletes amarelos”. Paris em alerta máximo


09h35 – Câmara de Paris com célula de crise

Anne Hidalgo convocou este sábado uma célula de crise para acompanhar a evolução das manifestações em Paris.
09h32 – “Coletes amarelos” tentam condicionar acessos na periferia de Paris

Os manifestantes estão em vários pontos de acesso a Paris, tentam condicionar o acesso à cidade. “Estamos rodeados pela polícia. As coisas estão calmas”, refere um dos manifestantes no Twitter.
09h30 – Veículos da polícia concentrados nos Campos Elíseos

Mais viaturas policiais foram colocadas na avenida parisiense já que é aqui que se estão a concentrar os manifestantes. Entre as viaturas, estão dois carros blindados, que já não eram usados em Paris desde 2005.

O Ministério do Interior confirma 32 detenções.

O jornalLe Figaroavança que pelo menos 354 foram já interpeladas pelas autoridades e que 127 foram detidas.


09h20 – Primeiro-ministro está no Ministério do Interior


Edouard Philippe chegou perto das 10h00, hora francesa (9h00 em Portugal) ao Ministério do Interior para fazer o primeiro ponto de situação.


Ontem à noite, o primeiro-ministro esteve reunido com o representante dos “coletes amarelos”. O encontro não foi suficiente para desconvocar os protestos de hoje.


09h00 – Interpelações decorrem em vários pontos de acesso a Paris


08h40 – Polícia adapta dispositivo policial

A tática policial é hoje diferente daquela utilizada no passado sábado, quando houve confrontos e foram vandalizados lojas, carros e até mesmo o Arco do Triunfo.

Os manifestantes começam a chegar ao centro de Paris. Entre eles, há também um luso-descendente. Leonel considera que as condições de vida estão muito difíceis e é essa a razão para participar neste protesto.

Leonel garante que o movimento dos “coletes amarelos” não vai esmorecer até que o Governo caia. “É obrigado a ir embora. Porque se na semana que vem, o senhor Macron não fizer nada, para a semana estamos aqui outra vez”, garante.

O luso-descendente teme novas cenas de violência na manifestação de hoje, dizendo que a polícia francesa é muito violenta com os manifestantes.

8h30 – Eliseu é o destino dos “coletes amarelos”

Os “coletes amarelos” pretendem na manifestação deste sábado, chegar o mais perto possível do Eliseu, a residência oficial do Presidente francês Emmanuel Macron, o principal alvo de contestação deste movimento.
8h25 – Centenas de interpelações em Paris antes do início da manifestação

Pelo menos 312 interpelações foram já realizadas em Paris, antes do início da manifestação dos “coletes amarelos”, segundo fonte policial. 32 pessoas ficaram detidas.

As autoridades temem o regresso dos tumultos urbanos em Paris pelo que reforçaram os controlos nas estações e realizaram buscas sistemáticas junto aos locais de concentração.


Mobilização policial “sem precedentes”


Há 89 mil polícias mobilizados por toda a França, cerca de dez mil só em Paris. A capital francesa tem carros blindados da Gendarmerie, lojas fechadas nos Campos Elíseos, inúmeros museus e atrações turísticas encerradas, espetáculos desmarcados e jogos de futebol adiados. A polícia mobilizou um dispositivo “sem precedentes” e o executivo tenta a todo o custo evitar que França e, sobretudo, Paris se tornem palco de cenas de guerrilha urbana como as verificadas na passada semana.


O Presidente francês permanece calado publicamente e só deve pronunciar-se na segunda-feira sobre as manifestações ligadas ao movimento dos “coletes amarelos”.

A estratégia de Emmanuel Macron parece passar por não acicatar os ânimos dos “coletes amarelos” antes da realização de uma nova manifestação, convocada para este sábado através das redes sociais. Só na segunda-feira se deverá dirigir de viva voz aos franceses sobre este tema. “O Presidente da República não está ‘febril’, está inquieto”, disse o ministro da Agricultura Didier Guillaume.

“A raiva permanece indescritível e fora de controlo”, admitiu o primeiro-ministro Édouard Phillipe.

Mobilizados há cerca de três semanas, o movimento de contestação à política fiscal e social do Governo que pede a demissão de Macron, os “coletes amarelos”, conseguiram as primeiras concessões nos últimos dias. A mais evidente é o anúncio de que o aumento do imposto sobre os combustíveis, o rastilho que espoletou a revolta, a ser adiado durante todo o ano de 2019.

Anúncios que em vésperas da realização de mais uma manifestação, parecem não ter sortido efeito, julgadas pelos “coletes amarelos” como insuficientes. O movimento, destruturado, sem líder, fora dos quadros estabelecidos, não terá acalmado perante as concessões.

“Estas três semanas fizeram nascer um monstro que escapou aos seus criadores”, declarou o ministro do Interior, Christophe Castaner para definir o movimento dos “coletes amarelos”, que começou com a revolta de franceses com baixos rendimentos.

Na passada semana, as ruas de Paris transformaram-se num palco de batalha, de “guerrilha urbana”, com carros e lojas incendiados, confrontos com a polícia, gás lacrimogéneo e o Arco do Triunfo, símbolo nacional, vandalizado.

O executivo alerta que este sábado a França vive um estado de alerta máximo. Emmanuel Macron pediu aos partidos políticos, sindicatos e ao patronato para “lançarem um apelo claro e explícito à calma”. Num gesto raro, sete sindicatos condenaram “todas as formas de violência” e responsáveis partidários, da direita à esquerda, fizeram o mesmo.

Apelos à calma que não anularam a mobilização de um dispositivo policial “sem precedentes”, como admitiu o diretor geral da Gendarmerie, Richard Lizurey. Nenhum polícia pode folgar este fim de semana.

No total, são 89 mil polícias mobilizados em toda a França. Oito a dez mil só em Paris, praticamente o dobro dos efetivos que estavam destacados para a manifestação do último sábado. Haverá inclusivamente uma dúzia de veículos blindados na capital. “A força permanecerá na lei”, garantiu o ministro do Interior.

A Torre Eiffel está encerrada, bem como museus como o do Louvre ou o d’Orsay. O Centro Pompidou está fechado, e inúmeros espetáculos foram cancelados. Na Liga francesa de futebol, seis jogos da 17ª jornadas terão de ser remarcados. Nos Campos Elíseos, palco dos confrontos da semana passada, as lojas não vão abrir.

Ao longo daquela que é uma das principais avenidas de Paris, os comerciantes colocaram proteções frente às suas lojas.

Os prejuízos estimados decorrentes das manifestações e bloqueios de estradas pelos “coletes amarelos” são de 400 milhões de euros nos transportes de mercadorias, perdas de 25% na grande distribuição, 50% de quebras no turismo em toda a França. Os comerciantes dizem ter perdido cerca de mil milhões de euros desde que os protestos começaram.

Emmanuel Macron personaliza o alvo desta contestação. Eleito em 2017, o Presidente francês regista nova descida nos níveis de popularidade. Uma sondagem publicada pelo Le Figaro esta semana mostra que Macron tem 21% de popularidade e que mesmo 54% dos eleitores que votaram Macron apoiam o movimento do “colete amarelo”.