Ana Gomes grita para primeiro-ministro maltês: "Vergonha"

A eurodeputada socialista Ana Gomes apupou o primeiro-ministro maltês, este sábado, no Congresso dos socialistas europeus, no momento em que Joseph Muscat tomou a palavra. E gritou para a sala inteira ouvir: “Vergonha! Vergonha! Apoias os corruptos”. Logo depois atirou em direção a Muscat o nome de uma jornalista maltesa assassinada, crime que permanece impune: “Daphne Caruana Galizia”.

A deputada ao Parlamento Europeu já tinha criticado na sua conta do Twitter a possibilidade de Muscat tomar a palavra. “Se se confirma que Joseph Muscat”, o primeiro-ministro de Malta, “que mantém criminosos do Panama Papers no seu governo e bloqueia [a] Justiça sobre [o] assassinato de jornalista Daphne Caruana Galizia, vai falar neste Congresso de Lisboa do PES [socialistas europeus], lá se vai a credibilidade da família política”.

Questionada por um editor do site Politico, na mesma rede social, sobre se era ela que gritava “shame”, Ana Gomes confirmou: “Sim, de facto. É o mínimo que podia fazer.”

Joseph Muscat seguiu com o discurso – ouvido na primeira fila pelo secretário-geral do PS, António Costa, e pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez – sem se manifestar incomodado e sem nunca se referir ao caso. Na sala, também não se registaram reações à intervenção inesperada de Ana Gomes.

Quem reagiu foi um assessor, em resposta a Ana Gomes, também no Twitter, que criticou o facto da eurodeputada “preferir acreditar e dar força ao spin liderado pelo PPE [Partido Popular Europeu] em Malta, do que tentar conhecer os factos”. E acrescenta: “O que eu vi nos corredores foi o apoio ao governo mais progressista da Europa”, escreveu Cyrus Engerer, candidato trabalhista (o partido de Muscat) ao Parlamento Europeu em 2019 e conselheiro para as questões europeias do primeiro-ministro maltês.

Uma das tiradas de Muscat, dirigida aos congressistas reunidos em Lisboa, está a ser replicada nas redes sociais. “Temos de ser o Spotify e não o Walkman da política”, disse, referindo-se aos partidos socialistas europeias. O dia registou, para já, uma canção desafinada atirada contra Muscat.