PR de Angola condecora 72 personalidades civis e militares no 43.º aniversário da independência

O Presidente angolano condecorou este sábado 72 personalidades civis e militares, entre elas o histórico nacionalista Viriato da Cruz, no quadro das cerimónias do 43.º aniversário da independência de Angola (11 de novembro de 1975), que se celebra domingo.

A Viriato da Cruz, falecido em 1974, foi atribuído, a título póstumo, a mais alta condecoração de Angola, a Ordem da Independência 1.º Grau, ao lado de nomes como o cónego Manuel das Neves, Pedro de Castro Van-Dunen “Loy”, Ambrósio Lukoko, o bispo fundador da igreja tocoísta Simão Gonçalves Toco, Deolinda Rodrigues Eduardo, Jonatão Chungunji e Ilídio Thomé Aires Machado.

Oito outras personalidades foram distinguidas com a Ordem de Mérito Civil, entre as quais Almerindo Jaka Jamba, além de ter sido atribuída ao cardeal Alexandre do Nascimento e ao bispo Emílio de Carvalho a Ordem de Mérito Civil 1.º Grau.

Entre as condecorações militares, João Lourenço outorgou a oito generais a mais alta distinção – David António Moisés “Ndozi”, Fernando Brica, Jacob Caetano João “Monstro Imortal”, Gilberto Teixeira da Silva “Gika”, Nicolau Gome Spencer, Pedro Maria Tonha “Pedalé”, Augusto Lopes “Roca Monita”, Joaquim Cardoso “Janguinda” e Paulo da Silva Munchungo “Comandante Dangereux”.

O antigo general e dirigente da União Nacional para a Independência de Angola (UNITA) Arlindo Chenda Pena “Ben Ben” foi agraciado, a título póstumo, com a Medalha de Mérito Militar 1.ª Classe, entre outros seis antigos combatentes.

Já na parte civil, o cantor e compositor angolano José Adelino Barceló de Carvalho, conhecido por “Bonga”, e a seleção angolana de futebol adaptado, que recentemente se tornou campeã do mundo, receberam a Medalha da Bravura e do Cívico e Social 1.ª Classe.

No ato, que decorreu no Palácio Presidencial, João Lourenço realçou que a “cerimónia de outorga de condecorações, ordens e medalhas de diferentes graus e classes”, destina-se a um “grupo de cidadãos que, ao longo da História recente, e em circunstâncias muitas vezes adversas e perigosas, prestaram relevantes serviços à Nação”.

“Imbuídos do mais nobre espírito altruísta, entregaram-se de corpo e alma na defensa do interesse nacional, colocando ao serviço da Nação o seu saber, sua coragem e abnegação, sua arte, sua fé, numa palavra, seu patriotismo”, sublinhou.

Segundo João Lourenço, trata-se de “figuras” que se destacaram nas frentes de combate na defesa da independência e da soberania, os que lutaram “com todas as energias na defesa da paz e reconciliação nacional entre os angolanos” e os que se destacaram nas artes, na cultura, no desporto e na ciência.

O Presidente angolano não esqueceu o lado religioso das condecorações, ao destacar os que, “expandindo o evangelho, a fé e a necessidade do perdão entre os homens”, acabaram por “contribuir para o sucesso de todos, para a vitória da paz sobre a guerra e do perdão sobre o ódio, em prol da reconciliação entre os angolanos”.

“Os contemplados fazem parte de diferentes extratos da nossa sociedade, mas têm em comum o facto de serem humildes, sacrificados, que se despiram do egoísmo e da vaidade, que acreditaram sempre que a chave do sucesso está só no trabalho abnegado do dia a dia, na luta pelos nobres ideais que abraçamos, não importando os sacrifícios que tenhamos de consentir para os alcançar. Por isso são vencedores, por isso são heróis, cada um à sua dimensão”, afirmou.

Nesse sentido, João Lourenço sublinhou que a cerimónia é a “expressão do reconhecimento dos angolanos e da pátria angolana” pelos feitos de todos, por tudo quanto fizeram ou têm vindo a fazer pelo “engrandecimento do bom nome” de Angola.

“Para aqueles que já não fazem parte do nosso convívio, a quem foram outorgadas ordens e medalhas a título póstumo, a nossa mais singela homenagem. Prostramo-nos perante a vossa memória, com respeito e admiração”, acrescentou.

“Para os nossos jovens e para as gerações vindouras, o nosso apelo para que sigam o exemplo dos contemplados nesta cerimónia, o exemplo dos nossos campeões mundiais de futebol adaptado, cuja proeza está a ser mundialmente reconhecida, pois este é o caminho que gostaríamos de ver a ser trilhado por todos os angolanos, o caminho do sucesso, o caminho da honra”, concluiu.