Macron menos próximo de Trump e mais de Merkel nas comemorações do Armistício

Primeiro o Presidente norte-americano, Donald Trump, e um “mal entendido” sobre defesa, e depois a chanceler alemã, Angela Merkel, num encontro altamente simbólico: o Presidente francês, Emmanuel Macron, prosseguiu este sábado com as comemorações do centenário do Armistício de 11 de Novembro, que pôs fim à I Guerra Mundial.

O encontro com Trump foi dominado por um mal-entendido: numa entrevista, Macron disse, ao falar de ameaças no ciberespaço, e de seguida da necessidade de um exército europeu para que a Europa possa “proteger-se da China, Rússia, e até dos EUA”.

E segue dando um exemplo, o anúncio de Trump de que os EUA vão retirar-se do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio assinado no final dos anos 1980 com a Rússia. “Quem será a maior vítima” desta retirada, pergunta Macron, respondendo: “A Europa e a sua segurança.”

Macron disse ainda que “face à Rússia, que está nas nossas fronteiras e que mostrou que pode ser uma ameaça, precisamos de ter uma Europa que se defenda melhor a si própria sozinha, sem depender apenas dos EUA”.

Trump não gostou e mal aterrou em Paris já estava a tweetar críticas sobre a afirmação de Macron, voltando a uma das suas queixas em relação à Europa, as contribuições dos países europeus para o orçamento da NATO, que alega estarem abaixo do que deveriam.

Quando os dois Presidentes se reuniram no Eliseu, a disposição já estava um pouco diferente, pelo menos nas declarações: “Penso que estamos muito mais próximos do que parece”, disse Trump. Macron concordou que os europeus deveriam “partilhar mais o peso” das contribuições para a NATO.

Mas nas imagens, a proximidade não foi tão notória.

Já com a chanceler alemã, Angela Merkel, Macron esteve lado-a-lado numa foto carregada de simbolismo. Publicou-a no Twitter, com uma única palavra: “Unidos”.


A chanceler alemã e o Presidente francês descerraram uma placa comemorativa no local perto de Compiègne onde os alemães se renderam há cem anos, e segundo a agência francesa AFP foi a primeira vez desde a II Guerra Mundial que um líder alemão visitou o local. Na placa, os dois “reafirmam o valor da reconciliação franco-alemã ao serviço da Europa e da paz”.

Ao lado desta, estava uma outra placa, datada da I Guerra: “O orgulho criminoso do império alemão morreu aqui a 11 de Novembro de 1918, vencido pelo povo livre que tentou escravizar”.

O local é duplamente simbólico, já que o ditador alemão Adolf Hitler escolheu esse mesmo sítio para os franceses assinarem a sua rendição a 22 de Junho de 1940, no início da II Guerra Mundial.

Este sábado, Macron e Merkel sentaram-se num vagão reconstruído, uma réplica do original em que foi assinado o armistício na madrugada de dia 11 (este foi destruído) assinando um livro comemorativo. Saíram e deram as mãos, pela segunda vez no dia.

Uma mostra comovente de unidade, diziam os jornalistas que acompanharam a cerimónia.

“A Europa está em paz há 73 anos. Está em paz porque queremos, porque a Alemanha e a França querem paz”, disse Macron, citado pela Reuters. “E a mensagem é, se quisermos honrar o sacrifício dos soldados que disseram “nunca mais” é nunca ceder aos nossos instintos mais fracos, nem aos esforços para nos dividirem”.