Jerónimo de Sousa acusa PS de não se demarcar das políticas de direita

O líder do PCP acusou neste sábado, em Coimbra, o Governo do PS de não descolar dos seus compromissos com os interesses do grande capital e da sua submissão às imposições do Euro e da União Europeia.

Numa sessão para assinalar o 105.º aniversário de Álvaro Cunhal, antigo líder comunista, Jerónimo de Sousa disse que o seu partido tem “travado um combate exigente e complexo, num quadro onde estão presentes contradições resultantes das opções políticas do Governo” socialista.

Aos jornalistas, no final da iniciativa “Álvaro Cunhal e o legado de Karl Marx”, o secretário-geral dos comunistas falou em “exemplos significativos” de traços de política de direita do executivo chefiado pelo socialista António Costa.

“Destaco aquele que me parece mais relevante, que é o posicionamento do PS em relação à legislação laboral e às suas alterações”, salientou Jerónimo de Sousa, salientando as questões de profunda precariedade e o facto da actual proposta de alteração laboral poder levar à caducidade dos contratos colectivos de trabalho, além “do apoio ao capital financeiro”.

Segundo o secretário-geral do PCP, estes são elementos que demonstram que o “PS não se desmarca da política de direita”.

No caso concreto do direito dos trabalhadores, “como é que uma força de esquerda, em relação à legislação laboral, que é zona de fronteira entre a esquerda e a direita, pode votar com PSD e CDS uma proposta que atingirá direitos fundamentais dos trabalhadores”, questionou.

Sobre o apoio parlamentar ao Governo, Jerónimo de Sousa reiterou que o único compromisso do PCP é com os trabalhadores e com povo, e que a sua luta tem conseguido a “reposição e conquista de direitos e rendimentos, visando a elevação das condições de vida”.

“Não perdemos nenhuma oportunidade para conseguir avanços, ainda que insuficientes, é verdade, mas avanços sociais elevados importantíssimos, tendo em conta os efeitos devastadores da política do Governo anterior”, frisou.

No entanto, acrescentou, as conquistas conseguidas até agora são “necessariamente insuficientes, pois este amarramento do PS a essa política [de direita] é uma dificuldade objectiva, um obstáculo intransponível e, naturalmente, é preciso uma política diferente”.

Questionado sobre o que diria Álvaro Cunhal do entendimento do PCP com o PS para viabilizar a actual solução de Governo, Jerónimo de Sousa disse que o antigo líder “estaria de acordo com o actual posicionamento”.

“Houve momentos, com Álvaro Cunhal como secretário-geral, em que nós propusemos soluções de política que desse, garantias no plano institucional em relação ao Governo e à Assembleia da República, mas nunca fomos acompanhados pelo PS”, recordou o actual líder comunista.