EUA consideram contributo financeiro para ONU 'desproporcionado' e querem reduzi-lo

Internacional

O Governo dos Estados Unidos declarou esta sexta-feira que o seu atual contributo para financiar a ONU é “desproporcionado” e indicou que quer reduzi-lo, em concreto no âmbito das missões de manutenção da paz.

“Apelo a todos para que apoiem uma partilha mais equilibrada dos encargos relativos ao financiamento da manutenção da paz”, disse no Conselho de Segurança a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Nikki Haley.

A diplomata, que abandonará o cargo no final do ano, defendeu desde que foi nomeada a necessidade de os Estados Unidos verem reduzida a sua fatura na ONU, para cujo funcionamento são os maiores contribuintes, por uma grande margem.

Hoje, Haley deixou claro que Washington não quer pagar mais que 25% do orçamento das operações de paz, menos que os 28,5% que atualmente paga.

Em 2018, o orçamento total dessas missões ascendeu a 6.700 milhões de dólares, e as contas de 2019 serão negociadas em dezembro.

“No próximo mês, teremos uma importante decisão sobre como distribuímos os custos da manutenção da paz. Aos Estados Unidos cabe atualmente uma parte desproporcionada desses custos”, insistiu Haley.

A embaixadora norte-americana falava durante um grande debate organizado pela China no Conselho de Segurança para discutir o estado do multilateralismo e o papel das Nações Unidas.
Em consonância com as mensagens do Presidente norte-americano, Donald Trump, a diplomata mostrou-se crítica em relação aos resultados apresentados pela organização e condenou especialmente as críticas de que o seu país por vezes é alvo na Assembleia-Geral.

Mencionou, por exemplo, a recente aprovação de um documento naquele órgão pedindo o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba — um passo que, afirmou, faz vista grossa a “um regime bárbaro” para tentar infligir um golpe aos Estados Unidos.

“Há alturas em que os norte-americanos questionam o seu generoso apoio às Nações Unidas; há alturas em que temos a tentação de acreditar que o multilateralismo tem sido um mau negócio para os Estados Unidos, que poderíamos ser mais eficazes defendendo os nossos princípios e interesses a solo”, sustentou.

“E há ocasiões em que essa conclusão é a correta”, insistiu Haley, frisando que os norte-americanos querem ver “um retorno” do seu “investimento”.

No mesmo debate, o secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu de que o multilateralismo e as estruturas internacionais criadas após a Segunda Guerra Mundial continuam a ser vitais.

“Há ansiedade, incerteza e imprevisibilidade em todo o mundo. A confiança está a reduzir-se, dentro dos países e entre eles”, disse Guterres, fazendo um apelo a todos os líderes para que se recupere a unidade e a cooperação”.

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