Breaking Bad vai mesmo ter um filme – e é uma sequela sobre Jesse, "bitch"

Foi uma semana de rumores e notícias de fontes bem informadas mas sem confirmações oficiais: Vince Gilligan, o autor de uma das séries incontornáveis da televisão de autor, Breaking Bad, estaria a trabalhar num filme nesse mesmo “universo”. Nas últimas horas, Walter White, ou melhor o actor Bryan Cranston, confirmou que sim, que vem aí um filme e tudo indica que terá lugar depois das cenas finais da série que terminou há cinco anos e seguirá o percurso da personagem Jesse Pinkman.

No início da semana o jornal local The Albuquerque Journal (Breaking Bad passa-se e foi filmada em Albuquerque, no Novo México) dava conta da existência do projecto de um filme em que Vince Gilligan estava a trabalhar no âmbito da história que criou com Breaking Bad e que já tem uma prequela sob a forma de série de sucesso – Better Call Saul. Também a revista especializada Hollywood Reporter noticiava que Gilligan, um dos mais respeitados autores televisivos da última década, está a trabalhar num filme de duas horas sob o título de trabalho Greenbriar, não sendo claro se se tratava de um filme para o canal AMC que alberga Breaking Bad e Better Call Saul (em Portugal a última passa em Portugal no Netflix) e/ou para o circuito comercial de cinema. Vince Gilligan tem um acordo com a Sony Pictures Television.

Nesta mesma semana, o canal anunciou que vai seguir um caminho semelhante com The Walking Dead, o seu mais valioso franchise que agora dará origem a três filmes. A inflexão do canal parece ser uma nova estratégia: criar uma forma de expandir os seus “universos” que vá para além da televisão no formato de série. Sem uma palavra do AMC ou da Sony TV, sabe-se porém que a rodagem está para começar em Albuquerque, onde uma série chamada Briar Patch está há meses a ser filmada e cuja equipa, segundo o argumentista e crítico de cultura popular Andy Greenwald, há muito sabe que “Vince vai voltar para fazer o filme do Jesse”, como contou no podcast The Watch.

Entretanto, a revista Slash Film já tinha avançado, ao final do dia de quarta-feira, que a história será sobre “a fuga de um homem raptado e a sua busca por liberdade”, ou seja sobre o traficante de metanfetaminas Jesse Pinkman, o correligionário de Walter White interpretado por Aaron Paul e premiado por três vezes com um Emmy.


“Sim, parece que há uma versão cinematográfica de Breaking Bad, mas honestamente não li o guião”, disse na quinta-feira Bryan Cranston no programa de desporto The Dan Patrick Show. “E por isso há a questão sobre se veremos ou não o Walter White neste filme. Oh, pensem nisso”, brincou. Num qualquer cenário narrativo em que tal fosse possível, entraria no filme, perguntou-lhe o entrevistador? “Se Vince Guilligan me convidasse, claro que sim, absolutamente – ele é um génio”. “É o Breaking Bad e foi o melhor período profissional da minha vida”, justificou ainda. “Muita gente sentiu que queria ver algum tipo de encerramento para algumas das histórias que deixámos. E esta ideia, pelo que me foi dito, prende-se com isso – pelo menos para um par de personagens cujo percurso não tinha sido completado.”


Aaron Paul, que interpretou Jesse Pinkman durante sete anos na mais recente era de ouro da televisão, recheada de personagens masculinas tão cheias de defeitos quanto de apelo, não falou ainda sobre o potencial regresso ao mundo de Breaking Bad. Mas dias antes das primeiras notícias sobre o projecto do filme falou com o The Wrap sobre a personagem à qual considera que seria “simples e fácil voltar” – e sobre como os fãs ainda lhe chamam Jesse na rua, ou mesmo “bitch”, o insulto feminino [que significa, em tradução livre, “cadela” ou “cabra”] que a personagem usava quase como forma de pontuação das suas frases. “O meu nome é Aaron, prazer em conhecê-lo. Não é Jesse”, papagueou na entrevista replicando uma dessas situações, “e não, não me pode chamar bitch”.

Breaking Bad estreou-se em 2008 e durante sete anos contou a história do professor de química de liceu Walter White que, depois de ser diagnosticado com cancro e saber que vai ser novamente pai, envereda pelo fabrico e tráfico de metanfetaminas com a ajuda do pequeno dealer Jesse Pinkman. A série tem 16 Emmys e dois prémios Peabody e uma reputação que lhe garante lugar em várias listas dos melhores títulos de televisão de sempre. As reacções ao projecto dividem-se entre o receio quanto a conspurcar um legado elogiado e o entusiasmo perante mais histórias de um autor cuja ética de trabalho é respeitada.