"Bloco é a segurança de quem não volta atrás com a palavra dada", afirma Louçã

“Sabes, Catarina (Martins) há tempos eu via o Toy Story com as minhas netas e um personagem, perguntado para onde vai, diz que é para o infinito e mais além. Eu sei que este Bloco é mais humilde, aprendemos que o próximo passo e o caminho são mais concretos do que um infinito que nunca existe, mas sabemos para onde vamos, a tua força, a nossa força”, disse Francisco Louçã numa intervenção na XI Convenção Nacional do BE.


Num discurso que terminou com os delegados a levantaram-se para uma ovação, o fundador bloquista deixou a garantia de que “o Bloco é a segurança de quem não volta atrás com a palavra dada”.

“O Bloco é a segurança no cumprimento dos compromissos. Comprometemo-nos a acabar com as privatizações e cumprimos. Comprometemo-nos a aumentar o salário mínimo e cumprimos. Comprometemo-nos a aumentar pensões, a começar a regularização dos precários e cumprimos”, elencou.

Para além de saber para onde vai o partido, Louçã não esqueceu de onde vem o BE.

“Da Helena Lopes da Silva, do Miguel Portas, do João Semedo e tantos outros e seguimos por este caminho. O Bloco levanta-se como alternativa e dá as mãos a quem é segurança da luta, do povo”, destacou.Para o antigo líder bloquista, o partido “tem de ser a segurança de quem sabe que tem a maior das maiorias absolutas”, sendo esta, por exemplo, a segurança do salário digno, do emprego e da casa de família, pelo respeito pelos idosos ou pela igualdade.

“O BE é a segurança contra e imenso e insidioso partido da corrupção, que vai dos submarinos aos Visto ‘Gold’ e às parcerias público-privadas”, assegurou.

Francisco Louçã foi perentório: “se querem chamar moralismo à exigência de que ministro e empresário não roubam dinheiro público, chamem-nos moralistas. Somos republicanos”.

“Cumprimos e queremos fazer cumprir”, concretizou.

Segundo o fundador do BE, “há quase 200 anos que se vive com ‘fake news'”, criticando que, em termos mundiais, “os rufias tomaram conta da direita e são aplaudidos pelos milionários”.


“Agora a política suja está por todo o lado e é o medo. E como vencemos o medo? A minha resposta é: Garantimos ao povo segurança”, defendeu.


Catarina encabeça lista à Mesa NacionalA lista à Mesa Nacional do BE encabeçada pela coordenadora do partido, Catarina Martins, aposta na continuidade e apresenta poucas mudanças, sendo um dos novos nomes o vereador da Câmara de Lisboa, Manuel Grilo.




A lista da moção A, que reúne as principais tendências do partido, é liderada por Catarina Martins, seguindo-se o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, e a eurodeputada do BE, Marisa Matias, os três proponentes do texto de orientação política intitulado “Um Bloco mais forte para mudar o país”.

Apesar de estarem três moções em discussão e votação na XI Convenção Nacional do BE, entraram apenas duas listas à Mesa Nacional – o órgão máximo do partido entre convenções – uma vez que a moção M decidiu não apresentar lista.

Uma das novidades desta lista é o vereador do BE à Câmara de Lisboa, Manuel Grilo, que substituiu Ricardo Robles na autarquia depois da demissão na sequência da polémica com a venda de um imóvel.

Outro dos rostos novos é o médico Bruno Maia, um dos coordenadores do Movimento Cívico para a Despenalização da Morte Assistida.

Continuam na lista desta moção à Mesa Nacional os deputados Jorge Costa, José Manuel Pureza, José Soeiro, Mariana Mortágua, Joana Mortágua e o fundador do partido Luís Fazenda.


Ouvidas vozes críticas

Uma aposta na continuidade. Na convenção do Bloco de Esquerda, a moção da atual direção recolheu 84% de votos entre os delegados do partido.
Mas, apesar desta maioria ouve espaço para vozes criticas.
Marisa Matias defende alterações ao tratado orçamental
A cabeça de lista do Bloco de Esquerda às eleições europeias defende, em entrevista à RTP, que o tratado orçamental tem de se dar outra resposta aos problemas do país.
Marisa Matias considera que o PS nem teve uma atitude correta e reconhece que os compromissos não puderam avançar mais do que aquilo que se verificou.
Bloco quer mais poder
A dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Joana Mortágua afirmou hoje que o partido quer, num eventual futuro governo socialista, ter mais poder, não só para influenciar a governação, mas também para decidir.

“Queremos muito mais para poder não influenciar, mas (sim) decidir a governação, e dizer mais, dizer que nunca governaremos em vão”, afirmou numa intervenção na XI Convenção Nacional, em Lisboa.

A deputada considerou que há quem queira transformar a grande sobre o futuro do Bloco “numa aritmética de governabilidade”.

“Com quantos por cento é que o BE aceita ir para o Governo socialista? E nós respondemos à boa maneira popular: nesta casa não se fia”, enfatizou.

Joana Mortágua disse que o BE não troca “nenhuma carreira europeia pela carreira de professores, pela carreira dos enfermeiros, pelo pagamento de todas as dividas que este país ainda tem sobre quem sofreu uma década de agressão social”.

“Queremos mais, um governo de esquerda com um programa de esquerda”, disse perante os delegados.

Na sua intervenção, após terem sido retomados os trabalhos do no período da tarde neste primeiro dia da convenção do Bloco de Esquerda, a deputada tinha começado por questionar a plateia: “E depois do adeus?”

A deputada referia-se ao fim da legislatura, no próximo ano, após ter sido um dos partidos que viabilizou o governo minoritário do PS.A dirigente lembrou que o partido recusou, em 2015, a “insignificância” quando com 10% dos votos negociou um acordo parlamentar que “apeou a direita do governo”.

“E quando os 10% se fizeram gigantes, aumentámos o salário mínimo, aumentámos as pensões, libertámos os salários dos cortes, reduzimos impostos, diminuímos as propinas, mas não nos enganamos porque não tirámos o pé das ruas e não perdemos o fio às lutas”.

Para a deputada estas são a marca da influência do partido, mas também “as limitações do PS”.

“O PS disse ao país que era possível virar a página da austeridade e cumprir as metas do tratado orçamental, mas é precisamente essa promessa que é hoje o colete de forças da geringonça. Depois do que conseguimos, o PS travou sempre que quisemos ir mais longe. (O) investimento publico é o limite da geringonça e não é por uma questão de sustentabilidade das contas publicas, é por uma questão de sustentabilidade da campanha de Mário Centeno”, criticou.

BE não perdeu o seu ADN
Há militantes do Bloco de Esquerda que admitem que o partido engoliu “alguns sapos” com os três anos de “geringonça”. Mas no discurso oficial diz-se que se trata apenas de conflitos com o Partido Socialista.

As relações com o parceiro de Governo já foram melhores. Mas os militantes diz que isso está relacionado com o aproximar das eleições.


c/ Lusa