Penafiel: São Martinho tem pouca castanha pelas ruas mas são “graúdas e saborosas”

O cheiro a castanha assada já se faz sentir pelas ruas da cidade de Penafiel, na feira festa de São Martinho, que começou ontem, dia 9 de novembro.

Os consumidores queixam-se do custo elevado a que a castanha está a ser vendida. Por outro lado, os comerciantes lamentam a falta de clientes visto que há pouca castanha nesta época do ano, fator que inflacionou o preço por quilo do fruto.

Os assadores de castanhas começaram a ocupar as ruas da cidade de Penafiel ao final da tarde de sexta-feira, dia 9 de novembro, aquando da inauguração oficial da festa em honra do São Martinho naquela cidade.

“A venda da castanha está péssima porque o tempo afasta as pessoas de virem comprar” o produto aos vendedores de Penafiel, como já é tradição. Quem o diz é a vendedora de castanha Luzia Silva, vendedora do produto há 23 anos e que vai estar este São Martinho no Largo da Ajuda, em Penafiel.

A chuva que se tem feito sentir diminuiu o número de pessoas que, pelo primeiro dia de São Martinho, passearam nas ruas. “As pessoas preferem ficar em casa, há pouca gente nas ruas com esta chuva que não deixa as pessoas virem comprar as castanhas”, explica Luzia Silva. A falta da chuva também prejudicou a produção da castanha.

Este São Martinho a castanha está “cara mas boa, graúda e saborosa”, salientou a vendedora de castanhas assadas. “Sem bichos ainda”, prevê-se que haja maior abundância do produto “daqui a um mês, porque o tempo já está mais ao jeito dos ouriços abrirem”. 

“Está muito complicado de arranjar castanhas este ano, porque foi um ano atípico e as castanhas estão muito atrasadas, daqui para a frente já há com mais fartura”, prevê Daniel Ferreira, proprietário de um estabelecimento no Largo da Ajuda, em Penafiel.

“Acho a qualidade superior à do ano passado, mas estão seguramente um mês atrasadas“. As pessoas têm procurado castanhas no seu estabelecimento e, quando as vêem, “ficam muito contentes mas desagradas com o preço”. Mas nem para quem vende é bom, garante Daniel Ferreira, salientando que “a fome não é boa para ninguém”. 

Segundo a Luzia Silva, não há segredos para uma boa castanha assada. O que importa é a qualidade do produto da época, assim como o sal e o tempo de assadura.

“Isto demora cerca de 15 minutos”, explica. “Asso sempre nestes assadores de barro, é não ter medo de sujar as mãos, pegar no carvão e preparar as brasas, de seguida coloca-se o sal grosso, aqui dentro coloca-se as castanhas e é ir abanando”, explicou o processo Luzia Silva.

Depois de 15 minutos a abanar as brasas no assador, a castanha está pronta a comer, “com um sabor que não se consegue de outro modo”, salientou.

Agora, é só provar o vinho novo e saborear as tradicionais castanhas de São Martinho, embora o custo deste ato, este ano, saia um pouco mais caro para o consumidor.