"O Bloco está a mudar a política. Morreu o voto útil, paz à sua alma"

“O Bloco não mudou de política, mas está a mudar a política.” Catarina Martins abre o discursa na XI Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, este fim de semana no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, com a a promessa de que o Bloco vai continuar a ter um papel preponderante no Governo do pais em 2019.

“Morreu o voto útil, renasceu a possibilidade de o povo impor o respeito (…) Alguém acredita que a austeridade prevista no Programa do PS não teria sido aplicada se o PS tivesse maioria? A política mudou porque o PS não teve maioria absoluta e porque cresceu a força da Esquerda.”

“O Bloco mostrou que tem gente capaz, que sabe mais do que tantos ministros, porque conhecemos os problemas pela vida. Sabemos melhor sobre a precariedade porque é gente precária quem discute com o governo como acabar com a precariedade. A nossa vontade é experiência e compromisso com a nossa gente.”

O erro de Robles

As lutas do bloco não vão mudar, assegura a coordenadora bloquista. Apesar da polémica que envolveu Ricardo Robles, o “erro” foi corrigido e a especulação imobiliária é uma bandeira assumida.

“Recentemente, a decisão de um nosso vereador da venda de um prédio da família, em Lisboa, levou a sua demissão. Mas ficam a saber como é que no Bloco corrigimos os erros: o Bloco não abriu parêntesis nem mudou de assunto.”

“Ninguém viu este Bloco calado, nem por um dia, sobre o problema da habitação nas grandes cidades. E se há uma coisa de que podem ter a certeza, é que reforçaremos a luta contra a especulação, contra os fundos imobiliários, pela construção de habitação social, pela limitação da habitação turística de curto prazo, pelo acesso a aluguer de longa duração, pela defesa dos idosos, e de todos quantos são ameaçados de despejo pela lei Cristas, e pela instalação de jovens na cidade.”

Cristas, destruidora de lares e florestas

Assunção Cristas foi mencionada uma segunda vez, acusada de ” ajudar os eucalipteiros a estenderem a praga e a destruírem a floresta”. Já Maria Luís Albuquerque, diz Catarina Martins, “ajudou a desmantelar a Cimpor, a maior empresa internacional portuguesa, e tantos outros negócios”.

“Lembrar o mandato das direitas é evocar uma política em guerra com a Constituição e com o povo. Durante quatro anos, o PSD e o CDS violaram os limites constitucionais, uma vingança contra os direitos sociais. Se o ajuste de contas não foi mais longe, foi porque os vários chumbos do Tribunal Constitucional, que ressuscitaram o discurso sobre forças de bloqueio, contiveram os cortes de pensões e assim impediram que o balanço económico desses anos fosse ainda mais grave.”

Da Catalunha ao Brasil de Bolsonaro.

“Quando a União Europeia pagou a Erdogan para prender as famílias de refugiados, nós denunciámos esse acordo miserável e defendemos os migrantes. Quando Orban e os seus sequazes constroem muros e ameaçam disparar sobre os que fogem das guerras, nós defendemo-los. Quando um barco que salva refugiados no Mediterrâneo é ameaçado por Salvini, nós queremos proteger as vítimas. Quando o povo na Catalunha é reprimido e lhe é negado o direito de decisão, nós defendemos a democracia. Quando no Brasil o fascista Bolsonaro ameaça os adversários políticos, as mulheres, ou quem trabalha, ou as comunidades LGBT, quando lança os jagunços contra os camponeses, lembramos Marielle Franco e a coragem de dignidade”.

Ao encerrar o discurso, Catarina Martins anunciou
Marisa Matias como candidata do Bloco de Esquerda às eleições do Parlamento Europeu
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Esta sexta-feira convidada do programa Bloco Central, da TSF,
a coordenadora do Bloco de Esquerda assumiu que quer ser força de governo, mas não a qualquer custo. Há limites mínimos dos quais não abdica e depende sempre da força eleitoral que conseguir nas próximas eleições.