Marisa Matias diz que "nada será como antes na democracia portuguesa"

Marisa Matias – que esta manhã, na abertura da XI Convenção do BE, foi proposta pela coordenadora do partido, Catarina Martins, como cabeça de lista às eleições europeias no próximo ano – fez a apresentação da moção A, “Um Bloco mais forte para mudar o país”, que reúne as principais tendências do partido.


“Ao longos dos últimos três anos assistimos ao fim de um mito tão velho quanto a nossa democracia: o mito do arco da governação. Pela primeira vez na sua história, o PS viu-se obrigado a dialogar e a procurar um entendimento com uma esquerda que tinha saído reforçada nas urnas”, enalteceu.

Segundo a eurodeputada do BE, “a esquerda, com plena consciência das limitações de uma solução política dessa natureza, esteve à altura da sua responsabilidade”.

“Negociou e fez acordos, mas não foi ingénua e não entrou no Governo”, elogiou.

Marisa Matias começou por recordar que, “hoje, o acordo parlamentar faz três anos” e, o momento que mais recorda, “é a conferência de imprensa a seguir à primeira reunião com o PS”, em que Catarina Martins disse “as palavras que as pessoas esperavam ansiosamente ouvir: o governo de direita acabou”.

“Com cinco palavras apenas o país respirou de alívio”, disse.

Hoje, na opinião da eurodeputada do BE, sabe-se que se uma “solução como esta não existiu mais cedo foi por falta de vontade do PS e por falta de força da esquerda”, sendo por isso a “relação de forças fundamental”.

“Não irei fazer retratos cor de rosa. Sabemos que a simples correção das alterações feitas sob a troika, à legislação laboral ficou quase inteiramente por fazer”, criticou.


O BE fez o que pôde “com a força que as pessoas” lhes deram, sustentou a dirigente bloquista, fazendo um pedido: “deem-nos mais força e faremos muito mais”.

“O Bloco parte para um novo ciclo político um programa para a soberania que assenta em cinco eixos estratégicos”, antecipou.

A recuperação dos direitos do trabalho, a refundação dos serviços públicos, uma estratégia de reconversão e descarbonização da economia, a elevação dos níveis de investimento público para os de valores anteriores à crise financeira e o crescimento da soberania alimentar.

“Sabemos bem que este programa para a soberania é incompatível com o Tratado Orçamental”, advertiu.

Também em relação à Europa, a eurodeputada bloquista lamentou que “muitas vezes os ortodoxos de Bruxelas” foram “os melhores amigos que um populista de direita pode querer ter na vida”.

“O BE apresentar-se-á às eleições europeias com a determinação e a força necessárias para combater a austeridade, o ódio e a xenofobia, pela democracia, pelos direitos, pelas pessoas”, antecipou.