Cinanima começa segunda-feira com 110 filmes a concurso e formação de topo

“Este ano vamos ter uma edição muito forte do ponto de vista cinematográfico, quer porque mais de 80% dos filmes nas sessões competitivas nacionais e internacionais são inéditos em Portugal, quer pela qualidade técnica e artística dessas obras”, declarou à Lusa o diretor do festival, António Cavacas.

Depois de bater pelo quarto ano consecutivo o seu recorde de inscrições, desta vez com 1508 candidaturas oriundas de 69 países, o evento que decorre até dia 18 de novembro apresentará na competição internacional 36 filmes escolares, 44 curtas-metragens e 4 longas. Entre todas essas obras, 15 serão exibidas em estreia absoluta.

Já no que se refere à disputa nacional, o Cinanima de 2018 terá oito concorrentes ao Prémio António Gaio, que distingue o melhor filme nacional, e contará ainda com 18 candidatos ao Prémio Jovem Cineasta Português, que inclui uma categoria para realizadores até 17 anos e outra para diretores dos 18 aos 30.

As sessões temáticas, por sua vez, começam por apostar numa retrospetiva sobre a produção da Sérvia e numa homenagem a Nikola Majdak (1927-2013), um dos principais realizadores desse país. Darão ainda a conhecer a criação da Escola Nacional de Cinema da Irlanda, os principais filmes eslovacos dos últimos 25 anos, cinema para crianças produzido na Noruega e em Estugarda, e a animação contemporânea da Ucrânia, da Finlândia, da Polónia e da Lituânia.

Para António Cavacas, o Cinanima volta assim a colaborar com festivais de outros países para “exibir cinematografias pouco habituais”, mas também não esquece a mais personalizada criação de autor ao promover sessões de temática mais restrita como a do programa “Animação no Feminino”, com obras selecionadas pela realizadora portuguesa Regina Pessoa.

Finalmente, no que se refere à componente formativa do festival, essa irá distribuir-se por diferentes salas de Espinho, Porto e Matosinhos, e terá em destaque a ‘masterclass’ do realizador e designer gráfico Filipe Carvalho, que este ano ganhou um Emmy da Academia de Artes e Ciências da Televisão norte-americana pelo genérico que criou para a série de ficção científica “Counterpart”, protagonizada pelo oscarizado ator J. K.Simmons.

Outros profissionais que irão partilhar os seus conhecimentos com os participantes inscritos são: o holandês Willem Thijssen, produtor de animação e realizador de documentários em imagem real; a realizadora checa Vera Neubauer, já distinguida com dois prémios BAFTA da Academia Britânica de Artes do Cinema e Televisão; a belga Nancy Denney-Phelps, historiadora sobre animação e produtora de música nesse registo cinematográfico; e o realizador e argumentista estónio Riho Unt, cujo filme “The Master”, de 2015, foi galardoado com um total de 18 prémios internacionais.

“A formação é umas das vertentes mais importantes do Cinanima, que, durante os dias do festival, oferece vários ‘workshops’ e ‘masterclasses’ com convidados de renome internacional”, reconhece António Cavacas.

“O objetivo é dar não só aos jovens, mas também a outros profissionais – alguns já com carreiras feitas – a possibilidade de aprofundarem os seus conhecimentos sobre a história e as diferentes técnicas do cinema de animação”, conclui.

“Mais um dia de vida”, filme de Raúl de la Fuente e Damian Nenow, que combina ação animada com imagem documental real, inspirado no livro homónimo do reporter polaco Ryszard Kapuscinski, sobre a guerra civil angolana, é exibido na abertura do festival.

O filme foi estreado esta semana em Portugal. Esteve, em maio, na seleção oficial do festival de cinema de Cannes, em França, e, em setembro, ganhou o Prémio do Público no Festival de San Sebastian, em Espanha.