A fúria de Trump com algo que, afinal, Macron não disse

“Só protegeremos os europeus se decidirmos ter um verdadeiro exército europeu” que proteja a Europa da “China, da Rússia e, mesmo, dos EUA”. Esta ideia foi retirada de uma entrevista dada pelo Presidente francês à rádio Europe 1 e partilhada inicialmente pelo The Wall Street Journal como sendo de Emmanuel Macron. Só que não, como se costuma dizer. Não é bem assim.

Vamos por partes. De facto, o Presidente francês falou sobre um exército europeu e também sobre ataques dos EUA, no entanto não o fez no mesmo contexto. Numa parte inicial da entrevista, e quando se referia a ataques informáticos, Macron disse que era preciso agir. “Temos de nos proteger [de ataques informáticos] da China, Rússia e, até, dos EUA”.

Mais adiante, numa outra parte da entrevista, aí sim sobre o exército europeu, Macron reforçou que há a necessidade de “criar um exército europeu para que a Europa não esteja totalmente dependente dos EUA para se defender da Rússia”, reforçando que este país se tem tornado cada vez mais “ameaçador”.

Como tal, é possível perceber que o chefe de Estado de França se referiu à necessidade de criar um exército e aos ataques da China, Rússia e EUA, mas não no mesmo contexto. A versão do The Wall Street Journal acabou por ecoar na imprensa internacional, o que levou o próprio Presidente dos EUA a comentar uma declaração que não era real.

O esclarecimento surgiu no Twitter de Luke Baker, responsável pela Reuters de Paris, onde é explicado que a “raiva” de Trump e uma possível divisão no centenário do Armistício foi causada por uma má interpretação replicada um pouco por todo o mundo.


Essas alegadas declarações levaram Donald Trump a considerar as palavras de Macron insultuosas.
“Talvez a Europa devesse pagar antes a sua parte à NATO, que os EUA subsidiam largamente!”, escreveu o Presidente norte-americano no Twitter.

Depois da confusão estar criada, Emmanuel Macron esclareceu que “nunca disse que era necessário criar um exército europeu contra os Estados Unidos”.

“Compreendo que a sequência de tópicos [da entrevista à rádio Europe 1] possa ter gerado alguma confusão. Mas são dois assuntos diferentes, o tratado INF e o tema de uma força de defesa europeia, no qual estou a trabalhar e está em andamento”, explicou o presidente francês.